terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Empatia

*texto escrito em novembro/2015 e publicado inicialmente no meu blog antigo 

Terminei de assistir a primeira temporada de Sense8 e fiquei com vontade de escrever sobre empatia. Para quem não assistiu ainda, texto sem spoiler, ok?

A série conta a história de oito pessoas que se encontram conectadas entre si a ponto de sentirem exatamente o que o outro sente, apesar de todas as diferenças que os separam. 

É ficção científica, claro. Na vida real conseguimos no máximo imaginar como nos sentiríamos caso estivéssemos passando pela mesma situação que o outro, mas nunca vamos conseguir sentir o que ele sente de fato. Mesmo que eu já tenha passado por uma situação igualzinha nada me garante que o que eu senti é igual ao que ele sentiu.

Mas não é sobre isso que eu quero falar. Não sobre a capacidade de sentir empatia, mas sobre a disponibilidade interna para empatizar com o outro. Era algo que já vinha passando pela minha cabeça e um diálogo na série casou com o que eu estava pensando.

Dois personagens estão conversando, vou chamá-los de A e BA está sofrendo com uma perda terrível enquanto B se encontra em uma situação de perigo, precisando da ajuda de A para sair dela. B explica que precisa da ajuda de A, fala do risco que estão correndo, mas A está sentindo uma dor tão grande que não consegue ouvi-lo. Até que B diz o seguinte:

“Eu sei o quanto isso dói. Sei que você quer deitar aqui e nunca mais levantar. Sei porque também sinto isso. Eu posso sentir isso.”

Eles se olham e choram. Em seguida B diz:

“Isso significa que de alguma forma em algum lugar você também sente o que estou sentindo.”

E então A consegue ouvi-lo e ajudá-lo.

Tudo acontece muito rápido. Na vida real dificilmente a situação se resolve assim com duas falas, mas resume bem como eu acredito que as coisas funcionem.

Na cena fica muito claro como é absurdo pedir para que alguém se sensibilize com o nosso problema quando este alguém sente uma dor devastadora. Chega a ser cruel pedir empatia com a nossa situação para uma pessoa que se encontra inundada pelos próprios sentimentos. A pessoa simplesmente não ouve. Não há disponibilidade interna para ouvir.


Nessas situações, se eu quiser de fato ter uma conversa saudável, antes de falar sobre os meus sentimentos talvez eu precise me deixar um pouco de lado, ouvir e acolher o que o outro tem a dizer. 

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