terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Não matem o mensageiro

*texto escrito em maio/2015 e publicado inicialmente no meu blog antigo 

Quando eu falo que sou psicóloga e que atendo pela internet a maioria das pessoas me olha com um ar de incredulidade, aquela cara de "mas pode isso?". Eu respondo que sim, que é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia e que tenho autorização para fazê-lo. E a próxima pergunta é "mas funciona? Não é estranho? Não fica um atendimento frio, distante?". Não, eu não acho.

Você já ouviu alguém falar assim "nossa, eu adoro conversas presenciais, são tão íntimas e acolhedoras"? Eu nunca ouvi. Acho que é meio óbvio que, quando você tem a oportunidade de encontrar com alguém e conversar pessoalmente, o que torna esta conversa agradável são as falas da pessoa, a maneira como ela se expressa e como reage àquilo que você diz. Ou todas as conversas que você tem pessoalmente, não importa com quem, são sempre boas e profundas? 

Agora, quando você ouve alguém contar uma barbaridade com que teve contato através da internet a culpa é da internet. Adultério? Culpa da internet que facilita o contato entre as pessoas. Pedofilia? Culpa da internet que permite a exibição de imagens de crianças. Difamação? Culpa da internet que possibilita a transmissão rápida e maciça da informação. 

Isso me lembra muito aquelas histórias antigas em que os mensageiros chegavam trazendo as notícias ao rei. Se a notícia fosse boa ele era recompensado. Se fosse ruim era executado sem dó nem piedade. Quando as pessoas torcem o nariz para aquilo que é feito pela internet, quando diminuem o valor do que é feito online comparando àquilo que se faz presencialmente, a impressão que eu tenho é essa, de que estão matando o mensageiro.

Grandes amigos que tenho hoje são pessoas que conheci online. Algumas amizades se tornaram também presenciais, outras continuam virtuais e tão significativas quanto as primeiras.

Eu entendo que nem todos se sintam tão à vontade para se comunicar por email ou videoconferência quanto se sentem em uma conversa presencial. Da mesma forma que entendo que muitas pessoas têm mais facilidade no contato virtual. É uma questão de perfil, de gosto, de preferência.

O que eu tenho ouvido de algumas pessoas que me procuram é que nunca fizeram terapia e que gostaram de saber que existe o atendimento online pois acreditam que se sentirão mais à vontade para se abrir desta forma do que presencialmente. E eu fico feliz que esta possibilidade exista.


Eu não acho que um meio de atendimento seja melhor do que o outro. São diferentes. E as pessoas também ;)

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